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sexta-feira, 21 de março de 2014

O HOMEM QUE SE SENTA À MINHA FRENTE



O HOMEM QUE SE SENTA À MINHA FRENTE

O homem que se senta à minha frente
Conversa comigo de coisa nenhuma.
Que espera ele que eu lhe diga?
De que coisas banais poderíamos falar, assim de repente?
Penso tristemente que não tenho ideia alguma
Nem para dizer, ou perguntar, ou entoar uma cantiga.

O homem que olho e vejo à minha frente,
Que espera ele da nossa conversa?
Falamos mudamente de desencontros e memórias fugazes,
Do passado que há-de ser quando se acabar o presente,
Do que somos ou que fomos na realidade adversa
E das tardes absurdas, paradas, incapazes.

O homem que se reflete à minha frente
Não está em parte alguma.
Olha-me perplexo, com olhos pestanudos
Emudece o olhar parecendo ausente
Fala-me sem som, com palavras que o saber perfuma
E assim ficamos durante um tempo, quedos e mudos.

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Gostei. Embora desconheça se é o que pretende o autor, o seu poema remete-me à solidão e falta de diálogo que se perdeu ao longo dos tempos.
    A tecnologia que me permite contactar hoje com o mundo, também
    me isola das pessoas.
    É o que depreendo de
    "O homem que se reflete à minha frente
    Não está em parte alguma."

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